Quais os riscos de não operar uma hérnia?
Uma hérnia pode permanecer estável por algum tempo, mas também pode aumentar, causar dor ou apresentar complicações. O risco depende do tipo de hérnia, dos sintomas e das características de cada paciente.
Nem toda hérnia precisa ser operada imediatamente. Em alguns casos, especialmente quando a hérnia não causa sintomas e pode ser reduzida, o acompanhamento médico pode ser uma opção. A decisão depende do tipo de hérnia, do tamanho, dos sintomas e das condições de saúde do paciente.
Uma hérnia ocorre quando um tecido ou órgão se projeta através de uma região enfraquecida da parede abdominal. Sem a correção cirúrgica, essa abertura não desaparece espontaneamente. A hérnia pode permanecer estável, mas também pode aumentar de tamanho ou começar a causar dor e desconforto.
Um dos riscos é o encarceramento (quando o conteúdo da hérnia fica preso). Nessa situação, a hérnia deixa de voltar para dentro do abdômen. O encarceramento pode causar dor e, dependendo do órgão envolvido, provocar uma obstrução intestinal.
Uma complicação mais grave é o estrangulamento (interrupção do fluxo de sangue para o tecido preso na hérnia). Quando isso acontece, o tecido pode sofrer lesões pela falta de circulação. O estrangulamento é uma emergência e exige avaliação e tratamento cirúrgico imediato.
Dor súbita e intensa, vômitos e uma hérnia que não retorna para dentro do abdômen são sinais de alerta. Alterações na cor da pele sobre a hérnia e distensão abdominal também precisam de avaliação médica rápida.
O risco dessas complicações varia conforme o tipo de hérnia. Em homens com hérnia inguinal sem sintomas, o acompanhamento pode ser uma opção segura em casos selecionados. O American College of Surgeons informa que o encarceramento ocorreu em menos de 1% dos homens acompanhados por mais de dois anos sem cirurgia.
A situação é diferente para outros tipos de hérnia. Hérnias femorais apresentam maior risco de encarceramento e estrangulamento. Por esse motivo, a indicação de cirurgia costuma ser considerada mesmo quando os sintomas são pequenos.
As hérnias umbilicais em adultos também podem apresentar complicações. Segundo o American College of Surgeons, uma hérnia umbilical não operada apresenta risco de aproximadamente 4% de estrangulamento em cinco anos. Esse número não deve ser aplicado a todos os tipos de hérnia, porque cada localização apresenta características diferentes.
Hérnias incisionais, que aparecem em regiões de cirurgias anteriores, também podem ser acompanhadas em pacientes selecionados. As diretrizes da European Hernia Society relatam risco de evento agudo de 1,24% em um ano e 2,59% em cinco anos entre pacientes com hérnia incisional acompanhados sem cirurgia.
Além das situações de emergência, existe outro motivo para acompanhar a evolução da hérnia. Ela pode aumentar de tamanho e passar a provocar dor ou limitar atividades do dia a dia. Nesses casos, uma hérnia inicialmente assintomática pode passar a ter indicação de tratamento cirúrgico.
A decisão de operar uma hérnia deve considerar o equilíbrio entre o risco de deixá-la sem correção e os riscos da própria cirurgia. Não operar imediatamente pode ser uma conduta adequada em alguns pacientes, desde que exista indicação médica e acompanhamento.
Pacientes com hérnia devem passar por avaliação de um cirurgião para identificar o tipo de hérnia e estimar o risco individual. Se surgirem dor intensa, vômitos ou impossibilidade de reduzir uma hérnia que antes retornava para o abdômen, a avaliação deve ser feita com urgência.
Referências
- American College of Surgeons. Adult Inguinal and Femoral Groin Hernia Repair.
- American College of Surgeons. Adult Umbilical Hernia.
- European Hernia Society. Midline Incisional Hernia Guidelines. British Journal of Surgery, 2023.
- HerniaSurge. Update of the International HerniaSurge Guidelines for Groin Hernia Management. BJS Open, 2023.
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Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e conduta dependem da avaliação individual de cada caso.
