Ver todos os artigos

Tenho excesso de gases, quando devo fazer exame para SIBO?

O excesso de gases nem sempre significa SIBO. Entenda quando o teste respiratório pode ser indicado e quais sintomas e fatores de risco aumentam a suspeita.

Gases persistentes podem levantar a suspeita de SIBO quando estão associados a outros sintomas ou a fatores de risco. O teste não é indicado automaticamente para todas as pessoas que apresentam excesso de gases.

O que é SIBO e quais sintomas pode causar?

SIBO é a sigla em inglês para supercrescimento bacteriano do intestino delgado. A condição ocorre quando existe aumento anormal de bactérias nessa região associado a manifestações clínicas.

Distensão abdominal, excesso de gases, dor abdominal e diarreia estão entre os sintomas associados à SIBO. Entre esses sintomas, a diarreia apresenta associação mais forte com a condição do que a distensão abdominal.

Quadros associados à má absorção podem causar perda de peso e deficiências nutricionais.

Gases e distensão abdominal também podem ocorrer em intolerâncias alimentares, constipação, síndrome do intestino irritável, doença celíaca e outras condições gastrointestinais.

Quando o excesso de gases pode justificar investigação para SIBO?

A investigação para SIBO ganha importância quando os sintomas são persistentes e existem fatores que favorecem o supercrescimento bacteriano.

Distúrbios da motilidade intestinal estão entre esses fatores. Neuropatia diabética, esclerose sistêmica, gastroparesia e hipotireoidismo são exemplos de condições associadas a alterações da motilidade.

Alterações anatômicas do aparelho digestivo também podem aumentar o risco. Cirurgias que modificam a anatomia intestinal, alças cegas, fístulas, estenoses relacionadas à doença de Crohn e ressecção da válvula ileocecal são alguns exemplos.

O uso crônico de opioides e algumas condições de imunodeficiência também estão entre os fatores predisponentes descritos para SIBO.

Como é feito o teste respiratório para SIBO?

O teste respiratório é um método não invasivo utilizado na investigação da SIBO. O paciente ingere uma solução contendo glicose ou lactulose e fornece amostras do ar expirado.

Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia, o teste deve durar 90 minutos, com medições dos gases a cada 15 minutos.

Um aumento de pelo menos 20 partes por milhão de hidrogênio em relação ao valor inicial é um dos critérios utilizados para considerar o teste positivo.

O teste respiratório pode apresentar resultados falso-positivos e falso-negativos. A interpretação deve considerar o resultado do exame, os sintomas e os fatores de risco do paciente.

Ter muitos gases significa que preciso fazer o teste para SIBO?

Não. O excesso de gases isoladamente não é suficiente para indicar o teste respiratório para todas as pessoas.

A American Gastroenterological Association recomenda que a investigação de SIBO com teste respiratório seja considerada em uma pequena parcela de pacientes com fatores de risco.

A avaliação de gases e distensão deve considerar outras possíveis causas. Intolerâncias alimentares, constipação, síndrome do intestino irritável e doença celíaca podem produzir sintomas semelhantes.

Perda de peso e sinais de deficiência nutricional podem indicar a necessidade de uma investigação mais ampla. Sangramento gastrointestinal e anemia também exigem avaliação médica, pois podem estar relacionados a outras doenças do aparelho digestivo.

A combinação entre sintomas persistentes e fatores de risco ajuda a definir quando o teste para SIBO pode contribuir para o diagnóstico.

Referências

  • Federação Brasileira de Gastroenterologia. Diagnosis and Treatment of Small Intestinal Bacterial Overgrowth: An Official Position Paper from the Brazilian Federation of Gastroenterology. Arquivos de Gastroenterologia. 2025;62:e24107. doi:10.1590/S0004-2803.24612024-107. PubMed
  • Pimentel M, Saad RJ, Long MD, Rao SSC. ACG Clinical Guideline: Small Intestinal Bacterial Overgrowth. American Journal of Gastroenterology. 2020;115(2):165–178. doi:10.14309/ajg.0000000000000501. PubMed
  • Moshiree B, Drossman D, Shaukat A. AGA Clinical Practice Update on Evaluation and Management of Belching, Abdominal Bloating, and Distention: Expert Review. Gastroenterology. 2023;165(3):791–800.e3. doi:10.1053/j.gastro.2023.04.039. PubMed
  • Rezaie A, Buresi M, Lembo A, et al. Hydrogen and Methane-Based Breath Testing in Gastrointestinal Disorders: The North American Consensus. American Journal of Gastroenterology. 2017;112(5):775–784. doi:10.1038/ajg.2017.46.

Leia também

  • Tenho familiares com câncer de pâncreas, preciso fazer algum exame?

    Ter um familiar com câncer de pâncreas não significa que todas as pessoas precisam fazer rastreamento. Entenda quando o histórico familiar aumenta o risco e quando podem ser indicados avaliação genética e exames de acomp

  • Como prevenir o câncer de intestino?

    O risco de câncer de intestino pode ser reduzido com rastreamento adequado e hábitos de vida saudáveis. Entenda o papel da colonoscopia, dos pólipos, da alimentação, da atividade física e do histórico familiar.

  • Quando uma hérnia inguinal precisa ser operada?

    Nem toda hérnia inguinal precisa ser operada imediatamente. Entenda quando a cirurgia é indicada, quando o acompanhamento pode ser considerado e quais sintomas exigem avaliação rápida.

Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e conduta dependem da avaliação individual de cada caso.