Tenho familiares com câncer de pâncreas, preciso fazer algum exame?
Ter um familiar com câncer de pâncreas não significa que todas as pessoas precisam fazer rastreamento. Entenda quando o histórico familiar aumenta o risco e quando podem ser indicados avaliação genética e exames de acomp
Ter casos de câncer de pâncreas na família pode aumentar o risco da doença. Nem todas as pessoas com um familiar afetado, porém, precisam realizar exames periódicos. O grau de parentesco, o número de familiares afetados e alterações genéticas hereditárias ajudam a definir quem pode se beneficiar do rastreamento.
Quem tem casos de câncer de pâncreas na família apresenta maior risco?
O risco depende principalmente do número de familiares afetados e do grau de parentesco. Pais, filhos e irmãos são considerados parentes de primeiro grau. A presença de vários casos de câncer de pâncreas na mesma família pode indicar uma predisposição familiar. O risco aumenta especialmente quando existem dois ou mais parentes próximos afetados. Algumas pessoas também apresentam alterações genéticas hereditárias que aumentam a predisposição ao câncer de pâncreas e a outros tipos de câncer. Por isso, conhecer quais familiares tiveram câncer e a idade em que receberam o diagnóstico é importante durante a avaliação.
Ter apenas um familiar com câncer de pâncreas significa que preciso fazer rastreamento?
Ter apenas um familiar com câncer de pâncreas não significa automaticamente que exista indicação de realizar exames periódicos de rastreamento. Para pessoas que não apresentam uma predisposição hereditária conhecida, as diretrizes concentram a vigilância nos indivíduos com histórico familiar mais significativo. A avaliação considera quantos familiares tiveram a doença e como essas pessoas estão relacionadas entre si. O rastreamento do câncer de pâncreas também não é recomendado para a população geral sem fatores de alto risco. Por isso, a decisão deve partir da avaliação individual do histórico familiar.
Quando uma avaliação genética pode ser indicada?
A avaliação genética pode ser importante quando o histórico pessoal ou familiar sugere uma síndrome hereditária de predisposição ao câncer. Alterações em genes como BRCA1, BRCA2, PALB2, ATM e CDKN2A podem estar relacionadas a maior risco de câncer de pâncreas. A síndrome de Lynch e a síndrome de Peutz-Jeghers também estão associadas a risco aumentado. A presença de uma alteração genética não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá câncer. O resultado ajuda a estimar o risco e pode modificar a estratégia de acompanhamento. O aconselhamento genético permite analisar a história familiar e definir quando um teste genético é apropriado. Sempre que possível, a investigação genética da família pode começar pela pessoa que apresentou o câncer.
Quais exames são utilizados para acompanhar pessoas de alto risco?
A ressonância magnética do abdome com colangiopancreatografia por ressonância magnética e a ultrassonografia endoscópica estão entre os principais métodos utilizados na vigilância de pessoas com alto risco. A colangiopancreatografia por ressonância magnética, também chamada de CPRM, permite avaliar de maneira detalhada o pâncreas e seus ductos. A ultrassonografia endoscópica utiliza um aparelho introduzido pelo aparelho digestivo para obter imagens do pâncreas em alta resolução. A tomografia computadorizada não costuma ser o principal exame utilizado para vigilância periódica de indivíduos assintomáticos de alto risco. A escolha e a alternância dos exames podem variar conforme o risco individual e os achados identificados durante o acompanhamento.
Com que idade deve começar o rastreamento do câncer de pâncreas?
A idade de início depende da causa do risco aumentado. Em pessoas com risco familiar elevado, diferentes consensos utilizam como referência aproximadamente 50 anos ou 10 anos antes da idade em que o familiar mais jovem desenvolveu câncer de pâncreas. Algumas síndromes hereditárias justificam início mais precoce. Pessoas com síndrome de Peutz-Jeghers e determinadas alterações no gene CDKN2A, por exemplo, podem iniciar a vigilância antes dos 50 anos. Por isso, não existe uma única idade de início que seja adequada para todas as famílias.
Com que frequência os exames são realizados?
Quando existe indicação de vigilância e nenhum achado preocupante é identificado, o acompanhamento costuma ser realizado em intervalos de aproximadamente 12 meses. Alterações encontradas nos exames podem exigir avaliações em intervalos menores ou exames adicionais. A frequência depende do tipo, tamanho e características da alteração encontrada. Programas de vigilância devem ser realizados preferencialmente em centros com experiência no acompanhamento de pessoas com alto risco para câncer de pâncreas.
O que fazer quando existe câncer de pâncreas na família?
O primeiro passo é organizar o histórico familiar. É importante saber quais parentes tiveram câncer, qual foi o tipo de tumor e, quando possível, a idade no momento do diagnóstico. Essas informações permitem avaliar se existe indicação de aconselhamento genético e se o risco é suficiente para justificar exames periódicos do pâncreas. Ter câncer de pâncreas na família não significa necessariamente que a doença será hereditária. A avaliação do histórico familiar permite identificar quem precisa apenas manter os cuidados habituais e quem pode se beneficiar de uma estratégia específica de vigilância.
Referências
- Goggins M, Overbeek KA, Brand R, et al. Management of patients with increased risk for familial pancreatic cancer: updated recommendations from the International Cancer of the Pancreas Screening (CAPS) Consortium. Gut. 2020;69(1):7–17. doi:10.1136/gutjnl-2019-319352.
- Aslanian HR, Lee JH, Canto MI. AGA Clinical Practice Update on Pancreas Cancer Screening in High-Risk Individuals: Expert Review. Gastroenterology. 2020;159(1):358–362. doi:10.1053/j.gastro.2020.03.088.
- Sawhney MS, Calderwood AH, Thosani NC, et al. ASGE guideline on screening for pancreatic cancer in individuals with genetic susceptibility: summary and recommendations. Gastrointest Endosc. 2022;95(5):817–826. doi:10.1016/j.gie.2021.12.001.
- National Comprehensive Cancer Network (NCCN). Genetic/Familial High-Risk Assessment: Breast, Ovarian, Pancreatic, and Prostate. NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology.
Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e conduta dependem da avaliação individual de cada caso.
