Tenho pedra na vesícula e não sinto nada, devo operar?
Pedras na vesícula sem sintomas geralmente não exigem cirurgia. Entenda quando o acompanhamento é suficiente e quais situações podem levar à indicação da retirada da vesícula.
Pedras na vesícula sem sintomas geralmente não precisam ser operadas. A indicação da cirurgia depende dos sintomas, dos achados dos exames e de características individuais que possam aumentar o risco de complicações.
A colelitíase (presença de pedras na vesícula biliar) pode permanecer sem causar sintomas durante muitos anos. Muitas pessoas descobrem os cálculos por acaso durante um ultrassom ou outro exame de imagem realizado por um motivo diferente.
A maioria das pessoas com cálculos assintomáticos permanece sem sintomas. Estudos utilizados em diretrizes internacionais estimam que cerca de 10% a 20% desses pacientes desenvolvam sintomas ao longo de 10 anos. A descoberta de uma pedra na vesícula não determina automaticamente a necessidade de cirurgia.
Em pacientes sem sintomas, o acompanhamento médico pode ser uma opção. A cirurgia preventiva para retirada da vesícula não é indicada de rotina para todas as pessoas que apresentam cálculos assintomáticos.
A indicação de cirurgia pode mudar quando surgem sintomas relacionados às pedras. A cólica biliar (dor provocada pela obstrução temporária da saída da vesícula por um cálculo) costuma causar dor na parte superior direita ou central do abdome. A dor pode aparecer após as refeições e durar de alguns minutos a algumas horas.
Os cálculos também podem causar complicações. A colecistite (inflamação da vesícula) pode ocorrer quando um cálculo bloqueia a saída da vesícula. Dor persistente, febre, náuseas e vômitos podem estar presentes e exigem avaliação médica.
Uma pedra também pode sair da vesícula e alcançar os canais que transportam a bile. A presença de cálculos nos canais biliares é chamada de coledocolitíase. A coledocolitíase pode provocar obstrução da passagem da bile e favorecer complicações como icterícia, infecção das vias biliares e pancreatite.
Mesmo em pessoas sem sintomas, alguns achados podem levar à consideração de tratamento cirúrgico. Cálculos maiores que 3 cm e pólipos da vesícula maiores que 10 mm merecem avaliação específica. Vesícula em porcelana, espessamento da parede e vesícula repleta de cálculos também estão entre os achados associados a maior risco de câncer da vesícula.
A presença de fatores de risco como cálculos grandes ou pólipos exige uma avaliação individualizada para definir a necessidade de cirurgia. O risco individual, os exames de imagem e as condições clínicas precisam ser considerados antes da indicação de uma cirurgia.
Quando existe indicação cirúrgica, o procedimento realizado é a colecistectomia (cirurgia para retirada da vesícula biliar). A colecistectomia por videolaparoscopia utiliza pequenas incisões no abdome e uma câmera para permitir a realização do procedimento.
A descoberta de pedras na vesícula sem sintomas deve ser avaliada de acordo com as características de cada paciente. O acompanhamento pode ser suficiente para muitas pessoas, enquanto sintomas, complicações ou determinados achados nos exames podem levar à indicação da retirada da vesícula.
Dor abdominal intensa ou persistente, febre, vômitos ou icterícia (pele e olhos amarelados) podem estar relacionados a complicações das pedras na vesícula e exigem avaliação.
Referências
- Fujita N, Yasuda I, Endo I, et al. Evidence-based clinical practice guidelines for cholelithiasis 2021. Journal of Gastroenterology. 2023;58:801–833.
- Society of American Gastrointestinal and Endoscopic Surgeons (SAGES). Guidelines for the Clinical Application of Laparoscopic Biliary Tract Surgery.
- Society of American Gastrointestinal and Endoscopic Surgeons (SAGES). Clinical Spotlight Review: Management of Choledocholithiasis.
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Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e conduta dependem da avaliação individual de cada caso.
