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Quando a fissura anal precisa de cirurgia?

A fissura anal pode precisar de cirurgia quando se torna crônica ou não cicatriza com outros tratamentos. Entenda quando a cirurgia é considerada e como funciona o procedimento.

A fissura anal pode precisar de cirurgia quando se torna crônica ou quando outros tratamentos não conseguem promover a cicatrização.

A fissura anal é uma pequena ferida na pele que reveste o canal anal. A condição costuma provocar dor durante e após a evacuação e pode causar sangramento. O tratamento busca controlar os sintomas, facilitar a evacuação e permitir a cicatrização da fissura.

Como é o tratamento inicial da fissura anal?

O tratamento inicial costuma incluir medidas para manter as fezes macias e reduzir o esforço durante a evacuação. A alimentação rica em fibras, a ingestão adequada de líquidos e os banhos de assento com água morna podem fazer parte dessa abordagem.

Medicamentos tópicos também podem ser utilizados. Algumas pomadas ajudam a relaxar o esfíncter anal, que é o músculo responsável pelo controle da abertura e do fechamento do ânus. O relaxamento reduz a pressão na região e pode favorecer a cicatrização.

Bloqueadores dos canais de cálcio de uso tópico e nitratos estão entre os medicamentos utilizados no tratamento da fissura anal crônica. A toxina botulínica também pode ser utilizada em pacientes selecionados para reduzir temporariamente a contração do esfíncter anal.

Por que a cirurgia pode ser necessária?

A cirurgia pode ser considerada quando uma fissura anal crônica persiste apesar do tratamento adequado. Pacientes selecionados com fissura crônica também podem receber indicação cirúrgica após avaliação individualizada.

Na fissura anal crônica, o esfíncter anal interno pode permanecer excessivamente contraído. O aumento da pressão reduz o fluxo de sangue na região e dificulta a cicatrização da ferida. Esse mecanismo ajuda a manter um ciclo de dor, contração muscular e dificuldade de cicatrização.

A decisão de operar também considera o funcionamento do esfíncter e o risco de alterações da continência. Histórico de cirurgia anorretal, lesão obstétrica ou alteração prévia da continência pode influenciar a escolha do tratamento.

Como funciona a cirurgia para fissura anal?

A esfincterotomia lateral interna é uma das principais técnicas cirúrgicas utilizadas no tratamento da fissura anal crônica. O procedimento realiza uma divisão controlada de parte do esfíncter anal interno.

A redução da pressão do esfíncter melhora as condições para a cicatrização da fissura. A diretriz da American Society of Colon and Rectal Surgeons relata taxas de cicatrização entre 88% e 100% nos estudos avaliados.

O que esperar da recuperação após a cirurgia?

A recuperação após a cirurgia de fissura anal varia de acordo com a evolução de cada paciente. A dor causada pela fissura pode melhorar antes que a cicatrização esteja completa.

Os cuidados após a cirurgia incluem manter as fezes macias, evitar esforço excessivo durante a evacuação e realizar a higiene da região conforme orientação médica. O acompanhamento permite avaliar a cicatrização e identificar possíveis complicações.

A cirurgia não é necessária para todas as fissuras anais. A duração dos sintomas, a resposta aos tratamentos anteriores e as características do esfíncter ajudam a definir quando o tratamento cirúrgico deve ser considerado.

Referências

  • American Society of Colon and Rectal Surgeons. The American Society of Colon and Rectal Surgeons Clinical Practice Guidelines for the Management of Anal Fissures. 2023.
  • Revista Portuguesa de Coloproctologia. Recomendações de tratamento da fissura anal. 2021.
  • Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Fissura Anal. 2009.
  • Ministério da Saúde. Protocolos de Regulação para Acesso a Consultas e Exames Especializados em Proctologia. 2017.
  • Manual MSD Versão para Profissionais de Saúde. Fissura anal. 2025.
  • Cross KLR, Brown SR, Kleijnen J, et al. The Association of Coloproctology of Great Britain and Ireland guideline on the management of anal fissure. Colorectal Disease. 2023;25(12):2423–2457.

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Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e conduta dependem da avaliação individual de cada caso.